segunda-feira, 25 de junho de 2012

Introdução à Ética


Lawrence Kohlberg (1927 -1987) foi um americano que se dedicou ao estudo da teoria piagetiana, centrando suas preocupações nas questões morais. Expandiu as experiências aplicando rico material em grupos de controle nos Estados Unidos, Turquia, Israel, analisando essas pessoas por vários anos. Por exemplo, em Chicago acompanhou um grupo de 75 meninos e rapazes que inicialmente tinham de dez a dezesseis anos, por quinze anos, com entrevistas a cada três anos.

Uma das diferenças do trabalho de Kohlherg em relação ao seu mestre está em que ele rejeita a teoria do paralelismo entre a psicogênese do pensamento lógico e a psicogênese da moralidade. Se o desenvolvimento do pensamento lógico formal é condição necessária para a vida moral plena, não é, entretanto, condição suficiente.

E suas observações comprovam que a maturidade moral geralmente só é atingida (quando é...) apenas pelo adulto, uns dez anos depois da adolescência. E que o nível mais alto de moralidade exige estruturas lógicas novas e mais complexas do que aquelas do pensamento formal.

Kohlberg reformula então a teoria dos estágios morais, distinguindo três grandes níveis de moralidade: o pré-convencional, o convencional e o pós-convencional.

No nível pré-convencional as regras morais derivam daqueles que as formulam, e sua aceitação se baseia no reconhecimento da autoridade, orientando-se o comportamento a partir dos critérios de obediência e de punição e recompensa.

1. Orientação "punição obediência"
(Como eu posso evitar a punição?)
2. Orientação auto-interesse (ou "hedonismo instrumental")
(O que eu ganho com isso?)


No nível convencional é superada a fase anterior, valorizando-se o reconhecimento do
outro (grupo, família, nação): predominam as expectativas interpessoais e a identificação com as pessoas do grupo a que pertence.

3. Acordo interpessoal e conformidade
(Normas sociais)
(Orientação "bom moço"/"boa moça")
4. Orientação "manutenção da ordem social e da autoridade"
(Moralidade "Lei e Ordem")


No nível pós-convencional os comportamentos são regulados por princípios. Os valores
independem dos grupos ou das pessoas que os sustentam, porque são princípios universais de justiça: igualdade dos direitos humanos, respeito a dignidade dos seres humanos como pessoas individuais, reconhecimento deque as pessoas são fins em si e precisam ser tratadas como tal.

5. Orientação "Contrato Social"
6. Princípios éticos universais
(Consciência principiada)


O resultado das pesquisas empíricas de Kohlberg levou a constatação de que um percentual baixíssimo de cidadãos atingem tal nível de moralidade pós-convencional.
Isso nos faz refletir a respeito das condições sócio-econômicas que excluem uma população tão grande das escolas, bem como nos leva a considerar que na sociedade competitiva e individualista pode parecer utopia aspirar por valores como a justiça, baseados na reciprocidade e no compromisso pessoal.

Regra de ouro

O que é detestado por você, não o faça a seu próximo. Rabi Hillel, sábio judeu do período do segundo Templo de Jerusalém. 
O que você não quer que lhe façam, não o faça aos demais. Confúcio, pensador Chinês. 
Que ninguém faça aos outros aquilo que para ele seria repugnante. Mahabharata, texto sagrado hindu. 
Aquela natureza só é boa quando não faz ao outro aquilo que não é bom para ela própria. Zoroastro, profeta persa. 
Não atormentes o próximo com o que te aflige. Ensinamento budista
O que é odiável para ti, não o faças ao teu próximo: isto é todo a Torah; o resto é comentário. Talmud. 
Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo, como a ti mesmo. Pentateuco, atribuído a Moisés. 
Nenhum de vocês é um fiel até que deseje ao seu semelhante aquilo que deseja para si mesmo. Ensinamento Islã. 

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