terça-feira, 16 de junho de 2009

A crise da razão




Aqui vai o trecho a partir do qual estudamos o momento no qual a razão passa a ser colocada em xeque pela filosofia. Acima, os filósofos Adorno e Horkheimer, que escreveram a Dialética do Esclarecimento.

No final do século XX, testemunhou-se o despertar de um movimento irracionalista — chamado de desconstrutivismo ou pós-modernismo, que critica o uso da razão como arma do poder e agente da repressão, em vez de ser instrumento da liberdade humana, como proclamado pelo lluminismo do século XVIII.

Seguindo essa corrente, vemos florescer o individualismo exacerbado, o narcisismo, o vale-tudo, a desrazão que leva ao aniquilamento de todos os princípios e valores.
Mas será que podemos atribuir a culpa pelos descaminhos ao uso da razão? Na verdade, os conceitos de razão e de crítica devem ser reexaminados.

Quando falamos em razão, não mais acreditamos ingenuamente que só pelo fato de sermos humanos, sejamos automaticamente racionais. Devemos, a partir dos estudos de Marx e de Freud, admitir que a razão pode também ser deturpadora e pervertida, ou seja, aceitar que tanto a ideologia (ou falsa consciência) quanto os impulsos do inconsciente são responsáveis por distorções que colocam a razão a serviço da mentira e do poder.

Exemplificando: quando a racionalidade assume as vestes de razão de Estado ou de razão econômica, estamos lidando com uma visão parcial e instrumental da razão que tenta adequar meios a fins. É a razão que observa e normaliza, que calcula, classifica e domina, em função de interesses de classes, e não de interesses da sociedade como um todo. E se o poder que oprime fala em nome da racionalidade, para combatê-lo parece necessário contestar a própria razão. Esse tipo de racionalidade deve ser contestado, mas não por meio do irracionalismo, e sim pela atividade crítica da razão mais completa e mais rica, que dialoga e se exerce na intersubjetividade.


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